Na ressaca do Sim

http://4discovery.wordpress.com/2007/02/12/um-portugal-mais-liberal-acordou-hoje/

Reflectindo sobre o assunto o 4Discovery…pergunta aos leitores se a vitória do Sim é realmente uma vitória, ou um passo atrás na sociedade?

De facto a expressão retrocesso civilizacional foi ontem veiculada, creio, por Matilde Sousa Franco. Uma mudança no sentido da garantia e respeito pelos direitos das mulheres, da sua liberdade de opção, de melhoria das condições de saúde só pode ser considerada um retrocesso por mentes, essas sim, retrógadas. Escolher a despenalização da IVG a pedido da mulher não me torna defensor do aborto – aliás, depois do sim que manifestei ontem, estou hoje mais contra o aborto. Realidades sociais e níveis de informação à parte, as mulheres (e homens) do nossos país não são estúpidas(os), como tantas vezes nos querem fazer crer. O aborto não será utilizado como método contraceptivo, como os defensores do não tantas vezes arvoram. Ninguém optará, de ânimo leve, por realizar um aborto. E mais, repôs-se alguma igualdade nas liberdades individuais: a despenalização não obriga os opositores a fazerem abortos (cada um terá os filhos que quizer, nas condições que quizer, dando-lhes o destino que quizer…), mas a manutenção da actual lei, essa sim era penalizadora: não porque impedisse as mulheres de abortar, todos sabemos que o aborto clandestino e internacional é uma realidade histórica (em todas as épocas civilizacionais – já ia sendo tempo de o aceitar portanto e enfrentar), mas porque as remetia para a clandestinidade, segregando-as, marginalizando-as, criminalizando-as, sobrecarregando-as em momentos de carga emocial já de si pesada. Creio que a maioria dos partidários do Não são-no por razões morais intimamente ligadas à religião que professam. É impressão minha ou a Constituição da República Portuguesa consagra a laicidade do Estado? Já ia sendo tempo de respeitarmos a liberdade de consciência de cada um (e  atenção que não se tratava de uma mera questão de consciência, mas de dirieito penal, o que a torna política – pelo menos assim explicou a Drª. Odete Santos) e de acabar com esta imposição de valores de uns (maioritários ou minoritários) a todos. para mim foi paradigmático, nas reportagens das “sedes de campanha” que o serão televisivo nos foi mostrando, que do lado do sim houvesse uma esmagadora maioria de mulheres, maduras mas também jovens, visivelmente emocionadas, enquanto do lado do Não a repartição de género era quase igualitária e a idade média dos presentes muito mais elevada. Do Referendo de ontem, mesmo que não vinculativo, resultou uma país mais livre, mais progressista e moderno, mais próximo das sociedades desenvolvidas, e isso deixa-me um pouco mais sereno e orgulhoso. E que tem isto a ver com o empreendedorismo? Pois tudo. Enquanto a sociedade civil portuguesa não percorrer estas pequenas mudanças de valores e atitutes, enquanto não aceitar a diversidade, enquanto se mantiver castradora das escolhas individuais não almejará bons desempenhos nas outras esferas da vida em sociedade, designadamente na económica. Sem inovação social, cultural… não haverá inovação económica que nos valha.

~ por Rogério Silveira em Segunda-feira 12 Fevereiro, 2007.

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