Eu, Sentimentalão aqui me confesso
Quando se tem 30 anos o Natal já não tem a magia de outros tempos. Os presentes já não surgem, e comprá-los é quase tão exasperante quanto esperar pela meia noite quando só se tem seis anos. Correndo o risco de resvalar para o lugar comum: foi a família reunida que fez o meu Natal, com destaque para três ou quatro momentos especiais.
Os sorrisos cúmplices e envergonhados dos meus filhos por o Pai Natal ter atendido aos seus pedidos com uma precisão suspeita. A sensação de esmagamento agradecido do Dinis no almoço de Natal. A benção de um dia sem birras por parte do Gil.
A chegada da minha tia avó, que por momentos trouxe de volta a minha falecida avó paterna à nossa sala, mareou-me os olhos. O presente de Natal que a minha prima, que embala no ventre uma Mariana de 30 semanas, recebeu: dois pares de botinhas rosa tricotadas pela mão daquela avó para os bisnetos que haveriam de vir quando ela já tivesse partido, numa atitude de provisão e dádiva de que só os velhos alentejanos são capazes, e que faziam parte do seu modesto espólio.
A emoção de um casal amigo de arquitectos que reserva 2008 para o início da sua descendência a quem oferecemos um livro de desenho de espaços e objectos para crianças, só comparável à do abraço que o Gil deu ao Ratatoille, e que trouxe o verdadeiro espírito de Natal à nossa amizade.







ta muito bem o Dinis.Revela muita confiança
🙂