Setúbal Now?

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Sempre que há oportunidade de trocar dois dedos de conversa com os nossos amigos lusos que nos visitam quotidianamente, o tema rapidamente resvala para o desânimo sobre o estado das “coisas” na cidade de Setúbal: a falta de animação no centro da cidade, os problemas de limpeza urbana (ou falta dela), o estado de degradação dos edifícios e equipamentos de mobiliário urbano, a falta de ofertas culturais, o problema do desemprego e da pobreza…

O Segundo tema mais recorrente, àquele intimamente ligado é a comparação da estagnação da nossa cidade face à evolução a que assistimos na maioria das restantes cidades de média dimensão, litoriais ou interiores: com centros históricos exemplarmente reabilitados e animados, com novos espaço para a comunidade, com dinâmica empreendedora e um sentimento de orgulho partilhado pelo espaço urbano.

Sem desresponsbailização da sociedade civil, as “culpas” são rapidamente atiradas à gestão camarária que tem governado a cidade nas últimas décadas. A verdade é que muito pouco tem sido feito, o que não gera efeitos demonstradores ou inspira a confiança do resto da população. E se calhar ainda bem: as últimas grandes decisões de gestão do espaço urbano revelaram-se um completo desastre para o dinamismo da cidade, para a qualidade de vida e apropriação do espaço público pela população. Exemplos?:

  • a colocação das escolas e residências do Instituto Politécnico fora da malha urbana, quando teria sido possível equacionar outras localizações, face à disponibilidade de espaços, que privilegiassem a interacção entre a população estudantil e a população local (pessoas e serviços). Quando todas as capitais de distrito quiseram um Instituto Politécnico como factor de retenção e atracção de população, de revitalização cultural e económica, quando se sabe que nas cidades universitárias, como Évora, Beja, Castelo Branco, Covilhã…a ausência dos estudantes durante as pausas lectivas remete as cidades à sua condição provinciana primordial, em Setúbal optou-se por abdicar deste potencial efeito positivo.
  • A deslocalização da Feira de Santiago. Não obstante todas as perturbações à circulação do trânsito e qualidade de vida da população residente nas imediações da Avenida Luísa Todi que se reconhecem à anterior localização, o afastamento do evento do sentro da cidade revelou-se também catastrófico (por muito que nos dgam que o número de visitantes se manteve ou até aumentou). Feira centenária, cartão de visita da cidade, marco cultural, perdeu o poder de atracção sobre as população limítrofes e afastou os residentes dos bairros centrais da cidade da sua visita – deixando de parte a qualidade da programação cultural paralela. Quem se lembra da Praça do Bocage a rebentar pelas costuras para ouvir, Madredeus, Cesária Évora, ou do Largo Junto à Caritas apinhado para ouvir Vicente Amigo? Quando no Verão todas as cidades europeias aproveitam as suas praças e largos mais nobres para dinamizar actividades deste cariz, as nossas são empurradas para baldios empoeirados, enmosquitados, expostos ao vento, sem o minimo de dignidade para espectáculos de qualidade.
  • …podíamos continuar mas valerá a pena?

E o pior é que parece insistir-se no erro. Qual o nível de utilização da pista de atletismo? Qual a vantagem de retirar o Estádio do Vitória do Bonfim para o vale da Rosa, para além do imediato e rapidamente esgotável efeito de encaixe financeiro, da cedência às pressões especulativas sobre os terrenos? Será a construção de um novo estádio melhro solução do que a requalificação do actual? Deslocar-se-á a população ao novo estádio com a mesma afluência com que o faz agora? Continuarão as famílias a optar pelos serviços desportivos do clube (ginásticas, modalidades amadoras e afins), os que são sustentáveis economicamente (ao contrário do futebol) na nova localização?

Porque tarda tanto a abertura do afamado Parque da Cidade na antiga Toca do Pai Lopes?

Poderemos esperar da requalificação da Avenida Luísa Todi, um verdadeiro impacto na apropriação do espaço público pela população ou apenas uma manobra de cosmética? Que não obstante o potencial embelezador, se não tiver a devida manutenção e defesa por parte da população de nada ou pouco terá servido? Do rio, dos toxicodependentes na Avenida, a quem é servido o almoço na praça pública, desses nada digo.

~ por Rogério Silveira em Terça-feira 15 Janeiro, 2008.

6 Respostas to “Setúbal Now?”

  1. Olá Rogério,
    Concordo com tudo o que foi descrito, pelo que sugiro o envio deste texto para “quem de direito” (poder local), ou até mesmo para um jornal da região.
    Bjs
    Ana

  2. e agora ate a quinzenal feira das velharias que,embora o lixo que ali debitavam, sempre animava um pouco, acabou.

  3. Rogério
    Não podia estar mais de acordo
    Será que os (in)responsáveis não têm olhos na cara?
    Um abraço

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  5. Olá

    Este artigo deu-nos um jeitão a A.P. que no trabalho decidimos falar da cidae de setubal e os seus problemas

  6. obrigada este artigo deu um jeitão a A.P.

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