Fugas Lusas – Portugal ao Largo

Setúbal Now?

Sempre que há oportunidade de trocar dois dedos de conversa com os nossos amigos lusos que nos visitam quotidianamente, o tema rapidamente resvala para o desânimo sobre o estado das “coisas” na cidade de Setúbal: a falta de animação no centro da cidade, os problemas de limpeza urbana (ou falta dela), o estado de degradação dos edifícios e equipamentos de mobiliário urbano, a falta de ofertas culturais, o problema do desemprego e da pobreza…

O Segundo tema mais recorrente, àquele intimamente ligado é a comparação da estagnação da nossa cidade face à evolução a que assistimos na maioria das restantes cidades de média dimensão, litoriais ou interiores: com centros históricos exemplarmente reabilitados e animados, com novos espaço para a comunidade, com dinâmica empreendedora e um sentimento de orgulho partilhado pelo espaço urbano.

Sem desresponsbailização da sociedade civil, as “culpas” são rapidamente atiradas à gestão camarária que tem governado a cidade nas últimas décadas. A verdade é que muito pouco tem sido feito, o que não gera efeitos demonstradores ou inspira a confiança do resto da população. E se calhar ainda bem: as últimas grandes decisões de gestão do espaço urbano revelaram-se um completo desastre para o dinamismo da cidade, para a qualidade de vida e apropriação do espaço público pela população. Exemplos?:

E o pior é que parece insistir-se no erro. Qual o nível de utilização da pista de atletismo? Qual a vantagem de retirar o Estádio do Vitória do Bonfim para o vale da Rosa, para além do imediato e rapidamente esgotável efeito de encaixe financeiro, da cedência às pressões especulativas sobre os terrenos? Será a construção de um novo estádio melhro solução do que a requalificação do actual? Deslocar-se-á a população ao novo estádio com a mesma afluência com que o faz agora? Continuarão as famílias a optar pelos serviços desportivos do clube (ginásticas, modalidades amadoras e afins), os que são sustentáveis economicamente (ao contrário do futebol) na nova localização?

Porque tarda tanto a abertura do afamado Parque da Cidade na antiga Toca do Pai Lopes?

Poderemos esperar da requalificação da Avenida Luísa Todi, um verdadeiro impacto na apropriação do espaço público pela população ou apenas uma manobra de cosmética? Que não obstante o potencial embelezador, se não tiver a devida manutenção e defesa por parte da população de nada ou pouco terá servido? Do rio, dos toxicodependentes na Avenida, a quem é servido o almoço na praça pública, desses nada digo.